Política

Maurício Buffon e Dari Fronza, visitam território indígena e reforçam defesa por liberdade econômica e direito de produção dos povos originários

Os pré-candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, defenderam que a pauta indígena precisa deixar de ser tratada apenas sob a ótica assistencialista e passar a ser enfrentada também como uma discussão de autonomia, desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva.

Um sábado de escuta, reflexão e fortalecimento de compromissos. Assim foi definida pelos pré-candidatos a deputado estadual, Dari Fronza, e federal, Maurício Buffon a visita realizada neste fim de semana a um território indígena no Tocantins, onde a comitiva teve a oportunidade de conhecer de perto a realidade vivida por famílias indígenas e ouvir das lideranças locais um apelo que, segundo os visitantes, ecoou de forma unânime: a necessidade urgente de dignidade, autonomia e liberdade para produzir dentro de suas próprias terras.

Por respeito à comunidade visitada, os pré-candidatos optaram por não divulgar a etnia nem imagens fotográficas do encontro. Ainda assim, o impacto da experiência foi descrito como um momento de profunda reflexão.

“Ontem foi um daqueles dias de encher a alma de esperança. Em um lindo sábado ensolarado cumprimos um convite que nos foi feito para conhecer a realidade dos povos indígenas. Ir até lá e ver de perto tudo o que aquelas famílias vivem só confirmou aquilo que venho pregando há anos: liberdade econômica, direito de uso da terra, educação e saúde”, relatou Dari.

Durante a visita, os pré-candidatos afirmaram ter constatado que as comunidades indígenas preservam suas tradições, mantêm forte vínculo familiar, cuidam da natureza e convivem em harmonia entre os povos. Contudo, segundo eles, ainda enfrentam um problema considerado central: a ausência de liberdade para desenvolver atividade produtiva de forma plena e sustentável.

De acordo com os relatos, muitas aldeias tocantinenses estão situadas em áreas de solo fértil, relevo adequado e clima favorável para agricultura e pecuária sustentável. Mesmo assim, segundo os pré-candidatos, as famílias esbarram em limitações legais e ausência de políticas públicas que inviabilizam a produção comercial e até dificultam o fortalecimento da subsistência.

“Os povos indígenas no Tocantins vivem em algumas das melhores áreas para produção sustentável. Têm terra boa, têm clima propício, têm vontade de trabalhar, mas são impedidos de produzir comercialmente para seu sustento e para vender o excedente fora das aldeias. A pergunta é: onde está o Estado? Onde está a assistência técnica? Onde estão os políticos que não enxergam famílias vivendo em calamidade alimentar por conta de leis esdrúxulas e interesses externos que insistem em manter esses povos no esquecimento?”, questionaram.

A comitiva também relatou ter encontrado um sentimento de abandono entre as famílias visitadas.Segundo os pré-candidatos, uma das reclamações mais recorrentes feitas pelas lideranças foi justamente a ausência do poder público e o histórico de promessas não cumpridas por agentes políticos em períodos eleitorais.”Vimos famílias abandonadas no esquecimento. Todos reclamam que político só procura as aldeias em época de eleição. Mas isso está mudando. As lideranças indígenas não estão mais aceitando falsas promessas.

Estão indo buscar ajuda, estão querendo produzir seu arroz, seu feijão, mandioca de qualidade, e entendem que é possível desenvolver pecuária de forma sustentável. Eles querem se sentir úteis como sociedade civil, como brasileiros, ajudando esse país a melhorar a vida de sua gente”, afirmaram.

Ainda de acordo com os visitantes, as declarações ouvidas durante a agenda foram marcadas por um misto de cansaço e esperança. Cansaço diante de décadas de abandono e esperança diante da possibilidade de uma nova discussão sobre autonomia produtiva.”Eles nos disseram claramente: cansamos de promessas, cansamos de esperar, somos esquecidos pelo poder público. Precisamos de ajuda, de educação, do direito à saúde, mas queremos a liberdade de produzir nossos próprios alimentos. Essa foi a frase mais ouvida. Querem que seus filhos continuem na terra, vivendo dela, e não sejam obrigados a ir para a cidade em busca de uma oportunidade melhor”, destacaram.

Por fim, os pré-candidatos pontuaram que o contato direto com a comunidade reforçou a convicção de que garantir dignidade aos povos originários passa não apenas por saúde e educação, mas pelo reconhecimento do direito de produzir, prosperar e construir futuro dentro de suas próprias terras.

Por: Nadya Mayara

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