PROFESSORA APOSENTADA FORTALECE A DIFUSÃO DO CINEMA DOCUMENTAL EM PORTO NACIONAL COM EXIBIÇÕES GRATUITAS NAS COMUNIDADES
Após o sucesso de “Força e Fé: a História de Luiza”, Gladis Helena percorre escolas e comunidades levando o documentário “Artesãos das Águas” e promovendo o acesso ao cinema produzido no Tocantins.
PORTO NACIONAL — A educação foi apenas o primeiro capítulo da trajetória da professora aposentada Gladis Helena. Moradora de Porto Nacional há mais de quatro décadas, ela continua desempenhando um papel relevante na vida cultural do município, desta vez como diretora de produção e incentivadora do cinema documental, em parceria com o cineasta alagoano residente no Tocantins Antonio Souza, um dos nomes de destaque da produção audiovisual no Estado.
Reconhecido por trabalhos realizados em Palmas e Porto Nacional, Antonio Souza vem construindo uma trajetória marcada pela valorização da cultura regional. Parte de sua produção já ultrapassou as fronteiras brasileiras, com exibições em emissoras de televisão italianas, consolidando seu nome entre os realizadores que contribuem para o fortalecimento do cinema produzido no Tocantins.
A parceria entre Gladis Helena e o cineasta teve um de seus momentos mais expressivos em agosto de 2024, com a estreia do documentário “Força e Fé: a História de Luiza”, obra inteiramente produzida em Porto Nacional.
Atuando como diretora de produção, Gladis participou da organização do lançamento, que reuniu mais de 450 espectadores em uma sessão com lotação máxima no Vicentão, evidenciando o interesse da população pelo audiovisual de temática regional. Agora, a dupla volta a mobilizar o público com “Artesãos das Águas”, documentário que retrata a vida, os saberes e as tradições dos pescadores artesanais de Palmas, Lajeado e Porto Nacional.
O filme busca preservar a memória das comunidades ribeirinhas e dar visibilidade a personagens que mantêm viva uma das atividades mais tradicionais às margens do lago e do rio Tocantins.
As exibições fazem parte de um projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc, por meio de edital da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Nacional. Além da sessão cinematográfica, cada encontro oferece pipoca, refrigerante e uma conversa aberta com o diretor do filme, aproximando o público do processo de criação audiovisual.
Até o momento, o documentário já passou pela Escola Costa e Silva, Escola Dr. Euvaldo, Colônia de Pescadores de Porto Nacional, Associação de Hip Hop e Café Cinema, alcançando diferentes públicos e ampliando o acesso ao cinema fora dos circuitos convencionais.
“É para mim um grande prazer levar às comunidades cinema, pipoca, refrigerante e, principalmente, um bate-papo enriquecedor com o diretor do filme. É uma oportunidade de conversar sobre um cinema feito com pessoas da nossa terra, que valoriza nossas histórias e que, desta vez, coloca os ribeirinhos como protagonistas por meio de um formato que admiro muito, o docudrama”, afirma Gladis Helena.
A programação continua nas próximas semanas com sessões previstas no distrito de Pinheirópolis, na Escola Brasil e em mais uma comunidade que ainda será anunciada. Segundo Gladis, o projeto irá além das metas inicialmente previstas.
“Vamos contemplar uma comunidade a mais do que o previsto. É gratificante perceber a alegria das pessoas, ouvir seus comentários ao final das exibições e sentir que estamos contribuindo para aproximar o cinema da população. Estou fazendo aquilo que amo.”
Mais do que exibir um filme, a iniciativa busca democratizar o acesso à produção audiovisual tocantinense, estimular o diálogo entre realizadores e público e preservar a memória das comunidades retratadas.
Em um cenário no qual grande parte das produções culturais permanece concentrada nos grandes centros urbanos, projetos como “Artesãos das Águas” reafirmam a força do cinema regional como instrumento de educação, pertencimento e valorização da identidade cultural.
Ao unir a experiência de uma educadora comprometida com a formação cidadã e o olhar sensível de um cineasta dedicado às narrativas populares, Gladis Helena e Antonio Souza demonstram que o cinema também pode cumprir uma função social: registrar histórias, fortalecer identidades e aproximar as comunidades de suas próprias memórias.
