Se Palmas pode proteger quem trabalha no calor, Porto Nacional também pode discutir essa ideia
Medida adotada na capital reduz temporariamente a jornada de trabalhadores da limpeza urbana durante a estiagem; iniciativa poderia ser avaliada pela Prefeitura de Porto Nacional
Por: Nadya Mayara
Enquanto o Tocantins enfrenta mais um período de estiagem, uma decisão tomada em Palmas chama atenção para uma questão que também merece ser discutida em Porto Nacional: como proteger os trabalhadores que passam boa parte do dia expostos ao sol e às altas temperaturas?
A Prefeitura de Palmas decidiu reduzir temporariamente para seis horas a jornada dos servidores que atuam diretamente na limpeza urbana, como profissionais responsáveis pela varrição de ruas, coleta manual de resíduos, limpeza de espaços públicos e capina. A medida começa a valer em 26 de setembro e segue até 31 de outubro.
A decisão considera justamente as condições mais severas do período: calor intenso, baixa umidade do ar e exposição prolongada à radiação solar. Além da redução da jornada, o município determinou medidas como oferta de água, pausas para recuperação, orientação sobre os riscos do calor e reorganização das escalas para priorizar horários de menor exposição ao sol.
É uma iniciativa de Palmas. Mas por que Porto Nacional não poderia, ao menos, discutir algo semelhante? Não significa dizer que a Prefeitura de Porto Nacional precise simplesmente copiar o decreto da capital. Cada município tem sua estrutura, seus contratos e sua realidade administrativa. Mas existe uma questão que é comum às duas cidades: trabalhadores responsáveis pela limpeza e manutenção dos espaços públicos também precisam enfrentar diariamente o calor das ruas durante a estiagem.
Por isso, fica aqui uma sugestão ao prefeito Ronivon Maciel: que o município avalie tecnicamente a possibilidade de adotar medidas temporárias de proteção para esses trabalhadores enquanto persistirem as condições mais severas de calor e baixa umidade.
Uma alternativa poderia ser a reorganização das escalas, concentrando os serviços nos períodos de menor incidência solar. Outra seria reforçar pausas, pontos de hidratação e acompanhamento das condições de trabalho. Dependendo da avaliação técnica, até mesmo uma redução temporária da jornada poderia ser estudada para determinadas funções.
A questão não é apenas administrativa. É também uma discussão sobre quem está nas ruas fazendo a cidade funcionar enquanto boa parte da população procura fugir do sol.
Porto Nacional tem uma característica que torna esse debate ainda mais pertinente: o trabalho de limpeza urbana exige equipes constantemente nas ruas, justamente em um período em que o calor e a baixa umidade aumentam o desgaste físico de quem trabalha a céu aberto.
A Prefeitura de Palmas tomou uma decisão concreta diante desse cenário. Porto Nacional ainda não anunciou medida semelhante e talvez seja justamente a hora de colocar o assunto na mesa.
No fim das contas, cuidar da cidade também passa por cuidar de quem está diariamente nas ruas cuidando dela.
